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Deputado Rafa Zimbaldi pede proteção a perito que relatou pressão na investigação do caso Vitória

O deputado estadual Rafa Zimbaldi (União Brasil) solicitou ao Governo de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) que adote medidas para a proteção imediata a Renato Domingos Patolli, que atuou nas investigações do assassinato de Vitória Regina de Sousa, de 17 anos. O perito da Polícia Científica denunciou, há poucos dias, “ter sofrido pressão interna” para manipular os laudos que levaram à prisão de Maicol Sales dos Santos, único suspeito pelo crime cometido em fevereiro do ano passado, em Cajamar-SP. O servidor afirma ter sido ameaçado e afastado do trabalho, após ser obrigado a forjar documentos sobre o caso.

Em ofício protocolado na Secretaria de Estado de Segurança Pública, Rafa também pede a intervenção da pasta na preservação de todas as evidências legais sobre a execução de Vitória, além da garantia de segurança pessoal de Patolli que, segundo o parlamentar, corre risco de morte:

“Tudo o que sabíamos até agora pode ter sido baseado numa mentira fabricada. A denúncia de fraude feita pelo perito criminal do caso Vitória coloca em xeque toda a investigação realizada em Cajamar. Quem ganha com essa manipulação de provas e o motivo de se esconder a verdade é o que precisamos saber. Neste cenário, proteger a integridade física de Patolli é fundamental, até porque ele precisa entregar quem o pressionou a fraudar laudos. Isso é muito grave”, dispara o deputado estadual.

O perito criminal, que tem mais de três décadas de serviços prestados ao Estado, alegou manobra em parte do processo do caso Vitória. De acordo com Patolli, ele foi pressionado a incluir, de forma indevida, um laudo complementar ao inquérito, a fim de facilitar o desfecho.

Rafa também reiterou em ofício endereçado ao secretário de Estado de Segurança Pública, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, que o inquérito policial 2073748-40/2025, arquivado em meados do ano passado na Delegacia de Cajamar, seja reaberto de forma imediata e transferido ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo-SP, com direito à colaboração da Polícia Federal (PF). O pedido formal para tal providência foi feito pelo parlamentar do União Brasil em 30 de setembro de 2025: “A Delegacia de Polícia de Cajamar concluiu o inquérito sem dar transparência e atenção às imputações de que o único suspeito de matar a jovem teria sido coagido a confessar o crime. Ele já falou sobre isso em carta escrita de próprio punho. Sua defesa também alega o mesmo. Esta história está muito mal contada. Não está claro porque Vitória foi morta, como foi executada e nem quantas pessoas participaram deste assassinato. A sociedade exige respostas”, complementa Rafa.

O crime

Desaparecida desde 26 de fevereiro após deixar o trabalho, num shopping de Cajamar, Vitória foi encontrada morta, em 5 de março, numa área de mata da cidade.

Sem roupas, o corpo estava em estado avançado de decomposição e apresentava sinais de extrema violência. A jovem também estava com a cabeça raspada. À época, a perícia confirmou que a causa do óbito foi hemorragia causada por golpes de faca no tórax, no pescoço e no rosto.

Preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos-SP, Maicol Sales dos Santos, acusado de ter matado Vitória, vai a júri popular. Segundo a investigação, ele teria tido um relacionamento com a jovem e a matou por medo de ela revelar o caso para a esposa.

Rafa reforça que seu posicionamento não tem o objetivo de antecipar juízo de culpa ou inocência, mas, sim, assegurar que o processo transcorra com absoluta legalidade e transparência. “Justiça verdadeira se constrói com prova íntegra e procedimento correto. Fiscalizar é fortalecer as instituições”, conclui.

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