{"id":4808,"date":"2021-09-07T02:50:56","date_gmt":"2021-09-07T05:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/rafazimbaldi.com.br\/novo\/?p=4808"},"modified":"2021-09-07T02:59:56","modified_gmt":"2021-09-07T05:59:56","slug":"7-de-setembro-dia-da-independencia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rafazimbaldi.com.br\/novo\/7-de-setembro-dia-da-independencia-do-brasil\/","title":{"rendered":"7 de Setembro. H\u00e1 199 anos o Brasil deixava de ser col\u00f4nia de Portugal"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste feriado nacional de 7 de setembro de 2021, o Brasil comemora mais um dia da P\u00e1tria, a data mais importante de sua hist\u00f3ria, quando o pa\u00eds se livrou de mais de 300 anos do dom\u00ednio de Portugal.\u00a0A foto acima \u00e9 uma reprodu\u00e7\u00e3o do quadro Independ\u00eancia ou Morte (1888), mais conhecido como O Grito do Ipiranga, uma pintura do artista brasileiro\u00a0Pedro Am\u00e9rico.<\/p>\n\n\n\n<p>A vinda da fam\u00edlia real, em 1808, contribuiu muito em todos os aspectos para o desenvolvimento do Brasil, que deixou de ser uma mera col\u00f4nia, para ter sua estrutura politica e econ\u00f4mica. A press\u00e3o feita pelos portugueses culminou no retorno a Lisboa de D. Jo\u00e3o VI, acompanhado de sua fam\u00edlia e mais de quatro mil s\u00faditos, em 25 de abril de 1821, o que deixou a popula\u00e7\u00e3o brasileira sem saber qual seria seu futuro. Para garantir a continuidade administrativa e a presen\u00e7a real no Brasil, seu filho mais velho, D. Pedro, foi designado pr\u00edncipe regente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Houve manifesta\u00e7\u00f5es de descontentamento em v\u00e1rios pontos do pa\u00eds, inclusive em S\u00e3o Paulo, o que determinou a vinda de D. Pedro a capital e a Santos para acalmar os \u00e2nimos. A prov\u00edncia paulista era governada por uma junta provis\u00f3ria, formada por conservadores e liberais, que se degladiavam, resultando na eclos\u00e3o, em 23 de maio de 1822, de uma revolta que ficou conhecida por Bernarda de Francisco Ign\u00e1cio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>D. Pedro tentou contemporizar as correntes antag\u00f4nicas: os conservadores ligados ao presidente da junta, o nobre e militar portugu\u00eas Jo\u00e3o Carlos Oeynhausen Grevembourg (futuro Marques de Aracati) e os liberais, que contavam com Martim Francisco Ribeiro de Andrada (irm\u00e3o de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio), ent\u00e3o secret\u00e1rio do Interior e Fazenda. A convoca\u00e7\u00e3o de Grevembourg ao Rio, pelo pr\u00edncipe, resultou em um verdadeiro motim. Francisco Ign\u00e1cio de Souza Queiroz, membro da junta, instigou a popula\u00e7\u00e3o a impedir a partida de Grevembourg, pois um liberal, seu substituto, assumiria o governo de S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O impasse criado obrigou D. Pedro a destituir o governo da Prov\u00edncia determinando o envio de tropas de Santos a capital, &#8220;para dar pronto rem\u00e9dio a tais desordens e atentados que diariamente v\u00e3o crescendo&#8221;. A popula\u00e7\u00e3o paulistana revoltada hostilizou os soldados, e o comandante marechal C\u00e2ndido Xavier de Almeida e Sousa resolveu recuar e aguardar os acontecimentos. A desist\u00eancia do marechal Jos\u00e9 Arouche de Toledo Rendon em assumir a presid\u00eancia da junta, e a nomea\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Xavier de Almeida para o cargo, al\u00e9m do retorno das tropas a Santos, acalmou os \u00e2nimos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com destino a S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um outro fato grave ocorreu em Santos, quando 12 soldados se colocaram \u00e0 frente de seu batalh\u00e3o, para pleitear a equipara\u00e7\u00e3o de soldos com os pra\u00e7as portugueses. Eles foram condenados \u00e0 morte por enforcamento, causando grande como\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, D. Pedro decretou, em 13 de agosto de 1822, que em sua aus\u00eancia a princesa Leopoldina presidiria ao despacho de expediente e \u00e0s sess\u00f5es do Conselho de Estado. Foi a primeira vez que uma mulher assumiu o governo do Brasil. No dia seguinte, partiu do Pal\u00e1cio da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, com destino a capital paulista. A cavalo percorreu a dist\u00e2ncia de 634 km, em 12 dias, pernoitando em v\u00e1rias cidades: Rio Claro-RJ, Bananal, Areias, Cachoeira, Lorena, Guaratinguet\u00e1 (passando pela Igreja de Aparecida), Pindamonhangaba, Taubat\u00e9, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, Jacare\u00ed e Mogi das Cruzes. Finalmente, em 24 de agosto, chegou a Penha de Fran\u00e7a, onde participou de missa na capela de Nossa Senhora da Penha. Na manh\u00e3 seguinte, em S\u00e3o Paulo, assistiu na S\u00e9, com sua comitiva, a solene Te Deum, quando recebeu o beija-m\u00e3o de autoridades e do povo. Permaneceu alguns dias na capital, per\u00edodo em que conheceu D. Domitila de Castro e Mello (futura Marquesa de Santos).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 5 de setembro, foi a Santos inspecionar as fortalezas e visitar a fam\u00edlia de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, seu ministro de Estado. De regresso a S\u00e3o Paulo, no s\u00e1bado, 7 de setembro de 1822, por volta das 16 horas, D. Pedro e comitiva encontravam-se no alto de colina pr\u00f3xima ao riacho do Ipiranga, quando dois cavaleiros em r\u00e1pida carreira foram a seu encontro. Eram o major Ant\u00f4nio Ramos Cordeiro e Paulo Bregaro (hoje Patrono dos Carteiros), correio-real da Corte, que traziam diversas correspond\u00eancias: cartas de sua esposa Leopoldina; de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio; de Lisboa, uma de seu pai D. Jo\u00e3o VI e outra com instru\u00e7\u00e3o das Cortes, exigindo o regresso imediato do pr\u00edncipe e a pris\u00e3o de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio; e uma de Chamberlain (amigo de confian\u00e7a do pr\u00edncipe D. Pedro).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo testemunhos do integrante da comitiva, padre Belchior Pinheiro, D. Pedro, tremendo de raiva, arrancou de suas m\u00e3os os pap\u00e9is e, amarrotando-os, pisou-os e deixou-os na relva (ent\u00e3o n\u00e3o estava sobre o cavalo). O padre os apanhou e guardou. Depois, D. Pedro virou-se e disse: &#8220;E agora, padre Belchior?&#8221; ao que o padre respondeu prontamente: &#8220;Se V. Alteza n\u00e3o se faz rei do Brasil, ser\u00e1 prisioneiro das Cortes e, talvez, deserdado por elas. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho sen\u00e3o a independ\u00eancia e a separa\u00e7\u00e3o&#8221;. D. Pedro caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado pelo padre, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros, em dire\u00e7\u00e3o aos animais que se achavam \u00e0 beira do caminho. De repente, estacou j\u00e1 no meio da estrada, dizendo &#8220;Padre Belchior, eles o querem, eles ter\u00e3o a sua conta. As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Pois ver\u00e3o agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante est\u00e3o quebradas as nossas rela\u00e7\u00f5es. Nada mais quero com o governo portugu\u00eas e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal&#8221;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Responderam imediatamente, com entusiasmo, Viva a Liberdade! Viva o Brasil separado! Viva D. Pedro! O pr\u00edncipe virou-se para seu ajudante de ordens e falou &#8220;diga \u00e0 minha guarda que eu acabo de fazer a independ\u00eancia do Brasil. Estamos separados de Portugal&#8221;. O tenente Canto e Melo cavalgou em dire\u00e7\u00e3o a uma venda, onde se achavam quase todos os drag\u00f5es da guarda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chegando ao Ipiranga, sem que ningu\u00e9m aparecesse, o capit\u00e3o-mor Manuel Marcondes de Oliveira e Mello (depois Bar\u00e3o de Pindamonhangaba) fez parar a guarda junto a uma casinhola (hoje conhecida como Casa do Grito), que ficava \u00e0 beira da estrada, \u00e0 margem do riacho. Para prevenir qualquer surpresa, mandou o guarda Manuel de Godoi, um dos mais mo\u00e7os, colocar-se de atalaia em lugar onde pudesse descobrir a aproxima\u00e7\u00e3o do pr\u00edncipe. Tomando esta provid\u00eancia, apearam para descansar. Poucos minutos depois da retirada dos viajantes Bregaro e Cordeiro, o guarda, que estava de vigia, veio apressadamente em dire\u00e7\u00e3o ao ponto de parada. A guarda come\u00e7ou a se formar para receber D. Pedro, mas ele vinha t\u00e3o apressado que chegou antes que alguns soldados alcan\u00e7assem as selas. Diante da guarda, em semic\u00edrculo, estacou o seu animal, desembainhou a espada e bradou: &#8220;Amigos! Est\u00e3o, para sempre, quebrados os la\u00e7os que nos ligavam ao governo portugu\u00eas! E quanto aos topes daquela na\u00e7\u00e3o, convido-os a fazer assim.&#8221; E arrancou do chap\u00e9u a fita azul e branca, jogando-a no ch\u00e3o. A guarda seguiu o gesto, tirando dos bra\u00e7os o mesmo distintivo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E viva o Brasil livre e independente!&#8221; gritou D. Pedro. A guarda respondeu: &#8220;Viva o Brasil livre e independente! Viva D. Pedro, seu defensor perp\u00e9tuo!&#8221; E bradou ainda o pr\u00edncipe: &#8220;Ser\u00e1 nossa divisa de ora em diante &#8211; Independ\u00eancia ou Morte!&#8221;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>D. Pedro e comitiva de 36 pessoas seguiram para a cidade. \u00c0 noite, D. Pedro compareceu ao teatro da \u00d3pera, ostentando no bra\u00e7o o d\u00edstico de ouro &#8220;Independ\u00eancia ou Morte&#8221;, feito \u00e0s pressas pelo ourives Lessa e preso por um la\u00e7o verde e amarelo. Delirantemente aclamado, executou ao piano sua composi\u00e7\u00e3o, o Hino da Independ\u00eancia. O jovem poeta Tom\u00e1s de Aquino e Castro recitou um soneto de sua autoria, &#8220;Ser\u00e1 logo o Brasil mais que foi Roma&#8230;Sendo Pedro seu primeiro Imperador&#8221;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em dado momento, o padre Ildefonso Xavier Ferreira foi em frente ao camarote de D. Pedro e gritou: &#8220;Viva o primeiro rei brasileiro!&#8221; Em seguida, foi apresentada a pe\u00e7a O Convidado de Pedra.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Proclama\u00e7\u00e3o<\/strong><br>No dia seguinte ao brado da Independ\u00eancia, D. Pedro proclamou:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Honrados Paulistanos: O amor que eu consagro ao Brasil em geral, e a vossa Prov\u00edncia em particular, por ser aquela que perante mim e o mundo inteiro fez conhecer primeiro que todos o sistema maquiav\u00e9lico, desorganizador e faccioso das Cortes de Lisboa, me obrigou a ir entre v\u00f3s fazer consolidar a fraternal uni\u00e3o e tranquilidade, que vacilava, e era amea\u00e7ada por desorganizadores, que em breve conhecereis, fechada que seja a devassa, a que mandei proceder. Quando eu mais que contente estava junto de v\u00f3s, chegam noticias que de Lisboa os traidores da Na\u00e7\u00e3o, os infames Deputados pretendem fazer atacar ao Brasil, e tirar-lhe do seu seio seu Defensor. Cumpre-me como tal tomar todas as medidas que minha imagina\u00e7\u00e3o me sugerir; e para que estas sejam tomadas com aquela madureza, que em tais crises se requer, sou obrigado, para servir ao meu \u00eddolo, o Brasil, a separar-me de v\u00f3s (o que muito sinto), indo para o Rio ouvir meus Conselheiros, e providenciar sobre neg\u00f3cios de t\u00e3o alta monta. Eu vos asseguro que cousa nenhuma me poder\u00e1 ser mais sens\u00edvel, do que o golpe que minha alma sofre, separando-me de meu amigos Paulistanos, a quem o Brasil, e eu devemos os bens, que gozamos, e esperamos gozar de uma Constitui\u00e7\u00e3o liberal e judiciosa. Agora, Paulistanos, s\u00f3 vos resta conservardes uni\u00e3o entre v\u00f3s, n\u00e3o s\u00f3 por ser esse o dever de todos os bons Brasileiros, mas tamb\u00e9m por que a nossa P\u00e1tria est\u00e1 amea\u00e7ada de sofrer uma guerra, que n\u00e3o s\u00f3 nos h\u00e1 de ser feita pela Tropas, que de Portugal forem mandadas, mas igualmente pelos seus servis partidistas, e vis emiss\u00e1rios, que entre n\u00f3s existem atrai\u00e7oando-nos. Quando as autoridades, vos n\u00e3o administrarem aquela Justi\u00e7a imparcial, que delas deve ser insepar\u00e1vel, representai-me que eu providenciarei. A divisa do Brasil deve ser &#8211; INDEPEND\u00caNCIA OU MORTE &#8211; Sabei que, quando trato da Causa P\u00fablica, n\u00e3o tenho amigos e validos em ocasi\u00e3o alguma.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Existi tranquilos: acautelai-vos dos facciosos sect\u00e1rios das Cortes de Lisboa; e contai em toda a ocasi\u00e3o com o vosso Defensor Perp\u00e9tuo. Pa\u00e7o em oito de setembro de mil oitocentos e vinte dois.&#8221;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>D. Pedro nomeou, em 9 de setembro, a nova junta governativa da Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, composta pelo bispo diocesano D. Mateus de Abreu Pereira, ouvidor da Comarca Dr. Jos\u00e9 Corr\u00eaa Pacheco e Silva e o marechal C\u00e2ndido Xavier de Almeida e Sousa. E, \u00e0s 5 horas do dia 10 de setembro de 1822, deixou a capital, partindo para o Rio de Janeiro, onde chegaria em tempo recorde de cinco dias, apesar das chuvas e temporais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele seria aclamado o primeiro imperador brasileiro, no dia do seu anivers\u00e1rio, 12 de outubro, e solenemente coroado e consagrado como Defensor Perp\u00e9tuo do Brasil, na ent\u00e3o Catedral do Rio de Janeiro, em 1\u00ba de dezembro de 1822.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ant\u00f4nio S\u00e9rgio Ribeiro<\/strong>, advogado e pesquisador. \u00c9 funcion\u00e1rio da Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo (Alesp). <a href=\"https:\/\/www.al.sp.gov.br\/noticia\/?08\/09\/2016\/sao-paulo---berco-da-independencia-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Publica\u00e7\u00e3o original do site da Alesp.<br><\/a>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste feriado nacional de 7 de setembro de 2021, o Brasil comemora mais um dia da P\u00e1tria, a data mais importante de sua hist\u00f3ria, quando o pa\u00eds se livrou de mais de 300 anos do dom\u00ednio de Portugal.\u00a0A foto acima \u00e9 uma reprodu\u00e7\u00e3o do quadro Independ\u00eancia ou Morte (1888), mais conhecido como O Grito do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4809,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[1],"tags":[320],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v16.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>7 de Setembro. 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